Saber para bem fazer, a aposta na qualificação dos técnicos.
Fátima Alpalhão, Engª de Energia e Sistemas de Potência

Como vai evoluir o tema “instalação e manutenção” dos componentes que fazem parte dos edifícios? O que se perspetiva para 2040 e qual a sua contribuição para a neutralidade carbónica.

Atualmente quando se pensa em neutralidade carbónica associada ao setor dos edifícios, pensa-se na construção e renovação do parque edificado recorrendo a componentes eficientes que garantam o uso eficiente de energia, priorizando sistemas técnicos que recorram a fonte de energia renovável.

Todavia, tem ficado para segundo plano quem instala esses componentes e quem, durante o funcionamento do edifício, garante a sua correta manutenção. Tema de igual importância à escolha de uma opção tecnologicamente eficiente.

Apostar num sistema tecnologicamente eficiente para cada situação e não investir na formação dos técnicos responsáveis pela sua instalação, para desta forma garantir o desempenho previsto, coloca em causa os resultados que se pretendem alcançar. O mesmo se verifica para os componentes já instalados e que ao fim de algum tempo precisam de ser “afinados”.

Já alguma coisa foi feita neste sentido no que respeita aos edifícios, com a legislação publicada sobre o desempenho energético em edifícios a definir algumas regras e a apontar para técnicos especializados definindo competências de atuação. Importa agora apostar na capacitação destes técnicos e paralelamente trabalhar na credibilização destas qualificações. Os proprietários e instaladores têm de valorizar esta componente e assegurar que os técnicos contratados são os qualificados para executar os respetivos trabalhos.

Valorizar estes profissionais é o primeiro passo para garantir uma correta instalação e manutenção dos componentes dos edifícios desde a sua envolvente aos seus sistemas técnicos. Assim, para que em 2040 isto seja uma realidade é necessário apostar numa exigência da capacitação dos técnicos garantindo formações adequadas em todas as regiões do país, que culmine numa bolsa de técnicos especializados disponíveis para uma fácil contratação.

Neste contexto, em 2040 os edifícios são contruídos e renovados tendo por base as melhores tecnologias que asseguraram as necessidades de quem os utiliza preservando o ambiente, só possível com a contribuição da correta instalação de todos os componentes e de uma manutenção programada de forma a garantir sempre a melhor desempenho dos mesmos, com recurso a um corpo técnico qualificado e disponível em qualquer região do país, devidamente reconhecido para o efeito.

A aposta nesta qualificação reveste-se de uma elevada importância quer para o setor da construção quer para a formação académica dos jovens que pretendem investir numa formação técnico-profissional e que veem esses esforços reconhecidos pelo setor, passando a ser um elemento decisor no desempenho energético dos edifícios.

Fátima Alpalhão, Engª de Energia e Sistemas de Potência
Técnica Especialista na Direção de Sistemas de Gestão e Certificação. Nasceu em Alpiarça, no Distrito de Santarém em Março de 1965. Licenciada com o curso superior de Energia e Sistemas de Potência, do Instituto Militar dos Pupilos do Exército, começou o seu percurso profissional na ADENE (então designada por Centro para a Conservação de Energia), onde desde 2006 desempenha funções na área da Certificação Energética dos Edifícios (SCE). A cerificação energética, suportada em legislação própria impõe níveis elevados de desempenho energético na construção nova e renovada e exige técnicos qualificados desde a fase de projeto até à construção e exploração do edifício. A parte visível da certificação energética, é o certificado energético, que dá a conhecer edifício ao consumidor, caraterizando o seu desempenho energético, nível de conforto e o potencial de melhorias. Após passagem pelas outras áreas da certificação energética, componente técnica e controlo de qualidade, desempenha atualmente funções na área do Portal SCE, na análise detalhada da informação associada aos processos de certificação energética, registada no portal SCE aquando de emissão dos certificados energéticos. Esta informação robusta permite, para além de caraterizar de forma única o parque edificado, suportar e fundamentar tomadas de decisão ao nível de políticas de financiamento, suportando a implementação das oportunidades de melhoria identificadas e caracterizadas pelo perito qualificados no momento de avaliação e emissão do certificado energético, sempre privilegiando a utilização dos recursos disponíveis de forma responsável, para que possam ser aproveitados pelas gerações futuras. A Fátima faz voluntariado no Clube Desportivo do Agrupamento de Escolas Amadora Oeste, um projeto que pretende mostrar que o desporto é um meio essencial para aprender, crescer e viver de forma saudável, dando ferramentas valiosas para uma vida em pleno.
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A ADENE é a agência nacional para a energia, com uma missão centrada nas pessoas e a ambição de reforçar o posicionamento de Portugal na descarbonização, é um parceiro ativo da transição energética, fortalecendo parcerias, dinamizando a política pública e estando mais próximo dos cidadãos. Com toda a energia!
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