Como nos vamos deslocar em 2040? Já chegámos?
Hélder Rodrigues, Engº Mecânico

Depois do jantar, uma notificação no telemóvel pede-me para confirmar a viagem para a manhã do dia seguinte, entre minha casa e o meu local de trabalho, hoje vou ter de confirmar, após 3 dias em teletrabalho, tenho algumas reuniões presenciais. No dia seguinte, de manhã, já depois do banho, recebo uma notificação que me diz que uma bicicleta elétrica já está no estacionamento mais próximo de minha casa. Dez minutos de bicicleta e chego ao hub de transportes mais próximo de minha casa, onde autocarros elétricos partem para pontos diversos do centro da cidade. Uma paragem num centro industrial, onde saíram vários colegas de viagem, e chego à minha paragem 30 minutos após ter saído de casa, dali tenho de fazer 5 minutos a pé para chegar ao destino.

Já no escritório, encontro um colega de outro departamento, que aproveita a subida no elevador para desabafar, “estou farto de vir de carro para a cidade!! Demorei 1 hora a chegar cá e estou a gastar mais em parquímetro do que em energia elétrica para a o meu carro!”, perguntei se não morava perto do hub de transportes que eu costumo utilizar, aproveitou o abrir da porta do elevador para evitar a pergunta. Eu mal posso esperar para no fim do semestre voltar a receber propostas dos vários operadores para satisfazer as necessidades de mobilidade da minha família!

Hoje é o último dia de semana e por isso vou utilizar tempo de veículo elétrico, que está incluído no meu plano de mobilidade, para sair da cidade e visitar os meus pais, o carro vai estar à minha espera no hub de transportes perto de minha casa para ir buscar o resto da família e partir. É uma visita que me lembra sempre que nem todos estamos a ir ao mesmo ritmo, as soluções de mobilidade sustentável tardaram nestas zonas mais remotas, os veículos elétricos estão perto da maioria, os primeiros autocarros a hidrogénio foram adquiridos há apenas alguns anos, mas os maiores ganhos nos transportes públicos até agora foram na operação, que foi alvo de melhorias significativas, existem agora poucas rotas fixas, estas são maioritariamente dinâmicas, respondendo à procura dos utilizadores.

Na próxima quarta vou ter de fazer uma visita a Madrid, de há alguns anos para cá, a ligação a Lisboa por ferrovia é feita em menos de 3 horas, o que fez descer consideravelmente os voos entre as capitais da península ibérica, embora os aviões que utilizam o hidrogénio como fonte de energia sejam cada vez mais normais, a produção é ineficiente, o que faz subir consideravelmente os preços das passagens aéreas.

Já chegamos? Não, mas parte de nós já vislumbra a meta da neutralidade carbónica, já ultrapassou as dores de adoção de novas soluções e hábitos e a natural contestação a grandes mudanças nas sociedades acalmou. Existem agora soluções exequíveis para todas as realidades, desde os grandes centros urbanos das capitais mundiais até às populações mais remotas do planeta, em 10 anos é necessário capacitar e levar à ação todos os que estão a apanhar o navio da mobilidade sustentável tardiamente, mas ninguém pode ficar para trás.

Chegaremos a tempo?

Hélder Rodrigues, Engº Mecânico
Gestor do MOVE+, da ADENE. Com background em Engenharia Mecânica e especialização em energias, o interesse na mobilidade surgiu naturalmente. O desejo de procurar soluções inclusivas e sustentáveis para os desafios que enfrentamos como sociedade, na área da mobilidade, trouxe-me até à ADENE, onde a troca de ideias e colaboração nos permite trabalhar e implementar iniciativas com impacto a nível nacional.
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A ADENE é a agência nacional para a energia, com uma missão centrada nas pessoas e a ambição de reforçar o posicionamento de Portugal na descarbonização, é um parceiro ativo da transição energética, fortalecendo parcerias, dinamizando a política pública e estando mais próximo dos cidadãos. Com toda a energia!
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