Energia à antiga.
João Pedro Mendonça - Jornalista

Há poucas pequenas coisas que me sejam tão compensadoras como sentir o aroma destes tomates caseiros acabados de fatiar. Ainda me encanta esta realidade de não precisar de frigorífico para dispor de frescos ao almoço sem sair de casa.

E, ainda por cima, recuperando fragrâncias e sabores, autênticos e intensos, do tempo em que a minha avó, lá na horta, me entregava a responsabilidade de colher o que quisesse almoçar.

Esta solução das estufas de condomínio no terraço, tirando proveito da compostagem caseira, não devia ter precisado de vinte anos para se banalizar... recolher a água da chuva que se escapava, guardar a energia do sol para cultivar e nos abastecer...  teria sido tão mais rápido vencer a preguiça coletiva antes do maldito aquecimento global nos impor a necessidade de agir. E dizer que agora até as passadas, a corrente de ar entre os prédios, o pisar veloz do asfalto pelos carros, os gases do esgoto, o benfadado escoamento veloz das águas residuais rumo aos gigantescos tanques de regeneração, nos fornecem energia! O "ter que ser", desde as guerras longínquas, sempre foi o melhor dínamo da evolução...

É verdade que, sem a tecnologia de aproveitamento da energia das ondas e o nuclear limpo não teríamos evoluído tão rápido neste capítulo. Se calhar ainda minerávamos carvão e extraíamos petróleo. Ainda um dia destes, quando saía da praia, olhava para a unidade de dessalinização e pensava como teria sido magnífico ter reconhecido mais cedo a evidência de que fazer mover as máquinas a H2O, tal como nós, nos teria poupado tanta dor e cortes na Liberdade.

Estávamos tão viciados em combustão, que não percebemos logo que bastava imitar a Natureza para fixar o carbono, em vez de o libertar. Enfim... escolho o melhor ângulo: ganhámos muito com o que muito doeu. E consta que o teletransporte de pessoas e bens chega dentro de vinte anos, as experiências estão a correr muito bem. Se for um processo tão nobre e grandioso como o da comunicação telepática, que permitiu ao Jornalismo descobrir todas as mentiras e só entregar Verdades ao consumidor delas, hei-de ter cada vez mais tempo livre e energia para viajar. Até pelo menos aos cento e trinta anos quero continuar a deixar os meus trisnetos ganhar as corridas no Parque. A gastar-lhes as energias à antiga, para dormirem como Santos a seguir ao jantar.

João Pedro Mendonça - Jornalista
João Pedro Mendonça nasceu em Lisboa, a 1 de maio de 1968. A primeira experiência na comunicação aconteceu na Rádio Clube de Monsanto. Em 1989, entrou na Rádio Renascença, onde editou programas de renome, como a Bola Branca e a Frente Desportiva. É, desde 2004 e até ao presente editor de desporto na RTP, onde está desde 1995. Coordenador editorial, repórter e narrador e em centenas de eventos e acontecimentos das mais diversas modalidades. Entre tantos, nos Jogos Olímpicos Sydney, Pequim, Londres, Rio de Janeiro e Tóquio, como nos mundiais de futebol da Coreia do Sul/Japão e na África do Sul. Desde 1998 que, todos os verões, comenta, na RTP, as transmissões da Volta a França e da Volta a Portugal em bicicleta, na companhia de Marco Chagas. Em 2021, vencedor do prémio Gazeta de Televisão,  Prémio Sapo de Inovação Digital, Prémio CNID de Jornalismo e Media, Prémio Bento Pessoa do Ginásio Figueirense.
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A ADENE é a agência nacional para a energia, com uma missão centrada nas pessoas e a ambição de reforçar o posicionamento de Portugal na descarbonização, é um parceiro ativo da transição energética, fortalecendo parcerias, dinamizando a política pública e estando mais próximo dos cidadãos. Com toda a energia!
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