Energia renovável inclusiva como mecanismo de mitigação às alterações climáticas.
Vanessa Lopes, Engª Ambiente

O planeta precisa de uma energia mais verde e inclusiva. Potenciar o crescimento e acesso à energia renovável é fundamental para alcançarmos os objetivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa e as consequências mais severas das alterações climáticas.

De acordo com as Nações Unidas, 68% da população mundial será urbana em 2050. No futuro, teremos um maior número de pessoas e mais centros urbanos com necessidades de consumo de energia ainda mais elevados. É fundamental desenvolvermos cidades mais inteligentes e sustentáveis. Cidades com o uso e partilha de energia renovável, aumento de áreas verdes urbanas, uso inteligente dos recursos naturais e sistemas de mobilidade sustentável.

É preciso perceber que limitar o aquecimento global a 1,5ºC vai exigir uma descarbonização rápida e profunda da economia mundial. A transformação necessária oferece uma grande oportunidade para a economia verde, mas também traz desafios sociais e económicos para a sociedade. O papel individual de cada cidadão é igualmente importante. A participação em conjunto e construção de um vínculo comunitário de partilha de bens e serviços tem um papel fulcral para comandar uma mudança estrutural necessária no setor da energia.

Para desenvolvermos uma sociedade mais sustentável é fundamental a construção de relações e redes de convivência em que cada instituição possa compartilhar responsabilidades, inter-relacionar-se e transformar-se no encontro de objetivos em comum, como por exemplo, a produção e o consumo de energia local, mais sustentável, segura e acessível para todos. A produção de uma energia mais limpa requer um papel mais ativo e interativo com o cidadão, uma relação em que o consumidor é também produtor de energia. Um vínculo comunitário em que o cidadão está no centro do setor energético.

Ter uma atuação mais próxima do cidadão e acesso a sistemas mais inclusivos de participação e atuação no setor energético, permite ganhos nos mais diversos níveis. Uma oportunidade para introduzir energias renováveis e reduzir a dependência global de combustíveis fósseis em uma evolução crescente para a descarbonização em todos os setores da economia.

Para desenvolvermos cidades mais inteligentes com sistemas mais eficientes não basta investir em tecnologias é preciso igualmente investir em comunidades sustentáveis, cidadão ativos e participativos para que seja possível a construção de instrumentos locais que encorajem soluções de melhoria continua para pequenas comunidades dentro de toda uma única sociedade.

A produção local de energia renovável será decisiva para o processo de transição energética e redução das emissões de gases com efeito de estufa. Há uma grande probabilidade de construirmos soluções inovadoras para problemas complexos como o das alterações climáticas, e estas soluções dependem das nossas escolhas.

Vanessa Lopes, Engª Ambiente
Mestre em Engenharia do Ambiente pelo Instituto Superior Técnico. Licenciada em Engenharia do Ambiente pela Universidade de Coimbra com especialização em energias renováveis e economia circular. Foi investigadora da Cátedra UNESCO de Sustentabilidade. Atualmente está a desenvolver projetos no âmbito das Comunidades de Energias Renováveis, Economia Circular e Alterações Climáticas.
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A ADENE é a agência nacional para a energia, com uma missão centrada nas pessoas e a ambição de reforçar o posicionamento de Portugal na descarbonização, é um parceiro ativo da transição energética, fortalecendo parcerias, dinamizando a política pública e estando mais próximo dos cidadãos. Com toda a energia!
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